Empresa na California vende o primeiro pet clonado

SAN FRANCISCO (AP) -- O primeiro pet clonado por encomenda nos Estados Unidos é chamado Pequeno Nicky, um filhote com oito semanas de vida, que foi entregue no Texas para uma mulher desolada com a perda de um gato que viveu com ela por 17 anos.

O filhote custou a sua proprietária U$50,000 e foi clonado a partir de seu amado gato, chamado Nicky, que morreu ano passado (2003). A proprietária de Nicky arquivou o DNA do gato, o que foi usado para criar o clone.

"Ele é idêntico. A personalidade dele é a mesma," a mulher disse por uma entrevista por telefone pra The Associated Press.

A empresa Sausalito-based Genetic Savings and Clone, a liberaram para falar com os repórteres apenas com a condição de que seu nome ou residência não fossem divulgados. A mulher disse que teme ser alvo de grupos que são contra a clonagem.

"Nicky amava água, o que é uma característica não comum nos gatos. O Pequeno Nicky pulou dentro de minha banheira," disse a mulher, que também disse estar próxima aos 40 anos de idade e ser funcionária numa empresa aérea.

A companhia enviou o Pequeno Nicky há duas semanas atrás e pretendiam anunciar publicamente na imprensa na quinta-feira.

Enquanto Pequeno Nicky bagunça em sua nova casa, a criação do filhote e sua venda, reacendeu um feroz debate ético e científico sobre a tecnologia da clonagem, que está avançando rapidamente.

Em maio, a companhia disse esperar ter produzido o primeiro cão clonado do mundo -- um mercado muito mais lucrativo que dos gatos. Enquanto está situado na área da Baía de São Francisco, o trabalho de clonagem da companhia será feito em seu novo laboratório em Madison, Wis.

Interesses comerciais já estão clonando premiados gados por volta de U$20,000 cada, e cientistas já clonaram camundongos, coelhos, bodes, porcos, cavalos -- e até mesmo o banteng ameaçado de extinção, um touro selvagem que é encontrado principalmente na Indonésia.

Várias equipes de pesquisa por todo o mundo, entretanto, estão correndo para criar o primeiro macaco clonado.

Fora a clonagem de humanos, que foi atingido somente à microscópica fase de embrião, nenhum projeto de clonagem causou mais debate do que os planos comerciais da Genetic Savings and Clone.

"É moralmente problemático e um pouco repreensível," disse David Magnus, co-diretor do Centro para Ética Biomédica de Stanford. "Com U$50,000, ela poderia ter fornecido lares para muitos abandonados."

Ativistas dos direitos dos animais reclamam que um novo sistema de produção felina não é necessário porque milhares de gatos abandonados são sacrificados a cada ano por falta de moradia.

O chefe executivo da Genetic Savings and Clone, Lou Hawthorne disse que a companhia dele compra milhares de ovários de clínicas de castração de todo o mundo. Dele são extraídos os óvulos, que são combinados com o material genético de animais a serem clonados.

Críticos também reclamam que a tecnologia é disponível apenas aos ricos, que usar isso pra criar animais de compania é leviano e que clientes que lamentam sobre perda de animais têm expectativas irreais daquilo que eles estão comprando.

De fato, o primeiro gato clonado em 2001 teve uma pelagem diferente de seu doador genético, excluindo aquele meio e outras variáveis biológicas tornou impossível a duplicação exata de um animal.

"O que muitas pessoas não compreendem é que o gato clonado não é o original," disse Bonnie Beaver, uma texana especialista no comportamento animal, que dirige o American Veterinary Medical Association, a qual não tem nenhuma posição sobre o assunto.

"Ele tem uma diferente personalidade. Ele tem diferentes experiências de vida. Eles querem o Fluffy, mas ele não é o Fluffy."

A companhia diz que aconselha cuidadosamente seus clientes sobre o que na verdade eles estarão recebendo, mas insistem que personalidade e características físicas serão passadas pelo doador genético para o filhote clonado.

Julie segurando o Pequeno Nicky.

 

Pequeno Nicky

A dona do Pequeno Nicky disse à companhia "sob prometido  e sobre entregue" o gato dela, o qual é da variedade Maine Coon. Uma raça nativa da Nova Inglaterra, o Maine coon recebeu seu nome por causa da semelhança do rabo de um Maine Coon tabby com um guaxinim.

Porém, outros cientistas avisam que animais clonados sofrem de mais problemas de saúde do que os seus semelhantes gerados tradicionalmente e que a clonagem ainda é uma ciência incerta. Ocorrem muitos e repulsivos fracassos para produzir um único clone.

Genetic Savings and Clone disse que sua nova técnica de clonagem, desenvolvida pelo pioneiro na clonagem animal James Robl, melhorou o índice de sobrevivência, saúde e aparência. A nova técnica visa em comprimir e transferir apenas o material genético do doador para o óvulo escolhido ao invés do núcleo inteiro da célula.

"Dentro dos próximos cinco anos, saberemos como obter animais mais saudáveis," disse Hawthorne.

Entre 15% e 45% dos gatos clonados que nascem vivos, morrem dentro do prazo dos primeiros 30 dias, disse Hawthorne. Mas ele disse que o índice é normal com nascimento normal, dependendo da raça do gato.

Austin-based ViaGen Inc., que clonou centenas de vacas, porcos e bodes, também estão experimentando a nova técnica de clonagem.

"A comissão jurídica ainda está fora, mas a pesquisa está mostrando que será promissora," disse a presidente da companhia Sara Davis. "A tecnologia está melhorando a todo o tempo."

Genetic Savings and Clone tem estado por trás da criação de pelo menos cinco gatos desde 2001, incluindo o primeiro a ser criado. Esperam entregar até mais cinco clones a clientes que já pagaram para a companhia o valor de U$50,000. Até o final do ano, esperam ter clonado uns 50 gatos.

A companhia é dirigida por John Sterling, fundador da Universidade de Phoenix, que investiu mais de U$10 milhões na companhia, que ainda tem lucro para retornar.

 

Tradução: Kleyne Andrade - Amacoon, 2007
Fonte: Red Orbit - Breaking News
Link: http://www.redorbit.com