"Nicky amava água, o que é uma característica não comum nos gatos. O Pequeno Nicky pulou dentro de minha banheira," disse a mulher, que também disse estar próxima aos 40 anos de idade e ser funcionária numa empresa aérea.
A companhia enviou o Pequeno Nicky há duas semanas atrás e pretendiam anunciar publicamente na imprensa na quinta-feira.
Enquanto Pequeno Nicky bagunça em sua nova casa, a criação do filhote e sua venda, reacendeu um feroz debate ético e científico sobre a tecnologia da clonagem, que está avançando rapidamente.
Em maio, a companhia disse esperar ter produzido o primeiro cão clonado do mundo -- um mercado muito mais lucrativo que dos gatos. Enquanto está situado na área da Baía de São Francisco, o trabalho de clonagem da companhia será feito em seu novo laboratório em Madison, Wis.
Interesses comerciais já estão clonando premiados gados por volta de U$20,000 cada, e cientistas já clonaram camundongos, coelhos, bodes, porcos, cavalos -- e até mesmo o banteng ameaçado de extinção, um touro selvagem que é encontrado principalmente na Indonésia.
Várias equipes de pesquisa por todo o mundo, entretanto, estão correndo para criar o primeiro macaco clonado.
Fora a clonagem de humanos, que foi atingido somente à microscópica fase de embrião, nenhum projeto de clonagem causou mais debate do que os planos comerciais da Genetic Savings and Clone.
"É moralmente problemático e um pouco repreensível," disse David Magnus, co-diretor do Centro para Ética Biomédica de Stanford. "Com U$50,000, ela poderia ter fornecido lares para muitos abandonados."
Ativistas dos direitos dos animais reclamam que um novo sistema de produção felina não é necessário porque milhares de gatos abandonados são sacrificados a cada ano por falta de moradia.
O chefe executivo da Genetic Savings and Clone, Lou Hawthorne disse que a companhia dele compra milhares de ovários de clínicas de castração de todo o mundo. Dele são extraídos os óvulos, que são combinados com o material genético de animais a serem clonados.
Críticos também reclamam que a tecnologia é disponível apenas aos ricos, que usar isso pra criar animais de compania é leviano e que clientes que lamentam sobre perda de animais têm expectativas irreais daquilo que eles estão comprando.
De fato, o primeiro gato clonado em 2001 teve uma pelagem diferente de seu doador genético, excluindo aquele meio e outras variáveis biológicas tornou impossível a duplicação exata de um animal.
"O que muitas pessoas não compreendem é que o gato clonado não é o original," disse Bonnie Beaver, uma texana especialista no comportamento animal, que dirige o American Veterinary Medical Association, a qual não tem nenhuma posição sobre o assunto.
"Ele tem uma diferente personalidade. Ele tem diferentes experiências de vida. Eles querem o Fluffy, mas ele não é o Fluffy."
A companhia diz que aconselha cuidadosamente seus clientes sobre o que na verdade eles estarão recebendo, mas insistem que personalidade e características físicas serão passadas pelo doador genético para o filhote clonado. |